quinta-feira, 28 de julho de 2011

Desliga a "vida pessoal", que tô indo trabalhar!

Hoje em uma reunião da empresa teve uma apresentação interessante sobre qualidade de vida na qual ele divagou sobre o equilibrio entre trabalho e "vida pessoal".

Ok. Começa pelo fato de que considero top tolos aqueles que usam os termos "vida pessoal", "vida profissional", "vida amorosa", "vida familiar". E é muito comum ouvir isso, como se fosse um jargão chique: "é que na minha vida pessoal...". Alô? Em que hora esses seres têm a ilusão de que saem de uma vida e entram em outra? É tipo Avatar? Fica lá na máquina e vai pra outra dimensão? Estabelecer que, aquele lugar que você passa de 8 a 12 horas por dia não é "vida pessoal", é um pouquinho demais.

O trabalho em si, é parte do que somos. A profissão que sonhamos, o que queremos conquistar. Não há separação. Assim como a família de onde vim (pai, mãe, irmãs) e os amigos de infância, a profissão e o trabalho também são parte de quem eu sou. Como estabelecer todas essas "vidas" sendo que somos um único indivíduo, com nossos problemas e sentimentos que, sejam oriundos da questão que for, são nossos? São de uma única pessoa. A nossa essência não muda, ela apenas se adapta.

A apresentação dizia que o ideal é ter um filho, marido, academia, cachorro e sei lá mais o que FORA dalí, porque é sinônimo de felicidade. Ser feliz no que fazemos faz parte da felicidade, não? Quantas amizades se formam no trabalho? Quantos amores e desamores se encontram? Quanta diversão, experiências diferentes, viagens e aprendizados fazem parte disso? Não seria extremamente hipócrita olhar pra sua vida agora e separá-la em departamentos? Para mim seria. E muito!

Como é que posso não lembrar de todas as histórias Intel com a gangue dos green badges e blue agregados, onde ganhei uma amiga-mentora e aprendi a trabalhar. Tentei aprender a ser menos emotiva com a Gabi, e ganhei um trio de amigos que é único. E quantos casais! Eu vi se juntarem, e eu vi romperem, e eu vi terem filhos. E mais filhos.
A Claro, além de conhecer a Mari, foi a ponte para eu conhecer uma turma divertida e alegre que me apoiou na aventura de tentar a vida de solteira, e no finalme apaixonar por Curitiba... a cidade do sonho. Onde conheci uma amiga que faz a diferença para mim TODOS OS DIAS.
E foi na Positivo, em Curitiba, que conheci minha BFF mais exótica do mundo. Totalmente diferentes uma da outra, em 4 dias de empresa decidimos dividir o apartamento. A turminha Jabutequeira e o Clube da Lulu. Conheci a jornalista mais autêntica e maior coração do mundo e também Talizinha sensível e romântica, e cia de Woods.

Hoje, na empresa que eu estou onde deu-se tal discurso - o dia a dia é pesado. É muita bucha. Para amenizar tem as competições para ver quem entre eu, Dezza e Sil fala mais em um período mais curto - e a Karen só rindo.
As loucuras diárias de Alê & Mari com link ao vivo patrocinado pela Ozmoze. As caveragens do Vidinho e as bobeiras do Mau. Ensinar a Glória a fazer DR, a chamar de mala sem alça e inútil. Aprender a lidar com essa lhoucurageeeemmm Coreana. Fazer quase um circo na sala de reunião... Almocinho em casa com menu especial e café na caneca de chá. Os papinhos com a fofa da Fabi. E nem precisar falar muito pra estar alinhada com a Mari, as vezes só aquele olhar já dá pra sacar.
Competir com os meninos no tal cartola toda semana... mesmo sem a menor lógica ou estratégia, conseguir ficar em 1º em uma das semanas! Rsrs... As sextas sagradas dessa turminha no Badaró (que me infiltrei to-tal de bicão, tipo: NOR-MAL!), onde fala-se pouquissimo de trabalho e ri-se muito.

Ah, tudo isso é passageiro, do convívio. Depois acaba e aí preterí a tal "vida pessoal". Será?

Será que não é "pessoal" se, quando minha mãe ficou doente em 2006, a Gabi e o Furgas da Intel se ofereceram e literalmente tentaram doar o rim para ela? Não há nada de profissional nisso. NADA. É amizade de verdade. Daquelas pra toda a vida. E todas as vezes que eu precisei, junto com o JP, estavam lá para mim. A Gabi que me ajudou a sair de casa e morar sozinha quando decidi não casar.
E em 2010 quando eu perdi minha mãe, as gurias da PI que cuidaram de mim dia a dia, choro e riso, sofá e bar, me fazendo cia, tentando fazer com que eu não ficasse pior... faziam de tudo, mesmo. Até pra Sampa vieram comigo. A Mari me ensinando a ser mais objetiva, a Jake sendo Jake (difícil explicar, mas perfeita!), e a Tali me dando uma lição de vida para eu exergar que tudo podia ser muito pior.

E é nessa mesma empresa, essa que me sugere "segmentar" a vida, que quando a saúde começou a gritar minha chefe além de fazer concessões, me ouviu, indicou, aconselhou. A Dezza e a Sil que me aguentaram, deram colo e conselho, quando tive recaídas da minha mãe e outros percalços. E nas sextas de hh que, variam de mesa cheia a petit comitte com os três mosqueteiros, falando de tudo e qualquer coisa, já tive papos top e apoio no dia que eu senti que tava com o mundo nas costas e desabei. E se eu preciso, SEI que posso contar com carona ou escolta especial que não fico na mão. Rs! Todo esse apoio é difícil entender pois estou numa fase tão mala que nem eu me aguento ás vezes.
Mas os dias têm passado mais leves pra mim, e uma fase tão ruim está até amenizando.

Não é um fardo ir trabalhar. É bom. Desde assunto sério a besteirol... me fazem rir. Dos papos cabeça com Mau e Vidinho até os meninos com suas brincadeiras de futebol.
Essa, que deveria ser só a minha "vida no trabalho", à parte de todo o resto, está cheia de sementinhas de pessoas especiais, que como nos outros lugares que passei sei que algumas vão ficar.

É por isso que sei que somos uma coisa só. Não tem divisão.

A gente é o que é, não importa onde a gente esteja.
A vida não é segmentada... ela é agora e é todo o tempo, minuto a minuto.
E todas as pessoas que te cercam e fazem no final do dia você ter aquela sensação de que o todo o conjunto, vale a pena. :)

terça-feira, 26 de julho de 2011

A arte de escrever hipocrisias.

Engraçado como a opinião alheia nos influencia.
Nunca fui muito fã de blogs, não sei porque.
Sempre amei escrever, mas não achava que o fato de eu gostar significava que fosse boa nisso.

Meu pai foi o primeiro a dizer que deveria ser escritora (ele é meu pai, dá um desconto!) e amigos me dizem há tempos que eu deveria escrever, que tenho dom da palavra escrita, ou me dizem que vão guardar meus textos dos e-mails e cartas para fazer um livro de pequenos contos cômicos com minhas histórias, e há alguns meses atrás, uma amiga muito autêntica ficou me enchendo os pacovás para que eu fizesse um blog. Influenciada pela empolgação dela em ler o que ela definia meus "insights criativos", criei um post neste blog. E esqueci.
Talvez porque o que ela definia como "insights criativos", eu via mais como teorias mirabolantes baseadas no dia a dia dessa minha vida caótica, que mais parece uma novela mexicana de muito mau gosto. 

Mas nas últimas duas semanas ouvi diversas vezes que eu deveria escrever livros de auto-ajuda, que eu sei o que dizer e como ajudar as pessoas e os amigos que estão tristes, e comecei a considerar a idéia mais seriamente. Não a de escrever um livro, mas de fazer o blog. E uma destas pessoas disse: "Seria um livro hipócrita pra caralho, mas seria show."
Por isso o nome do Blog.

Há algo mais hipócrita que auto-ajuda sem exemplo? Acho que a cada 100 conselhos que dou devo seguir, no máximo, 2. Minha vida é uma bagunça e tenho uma enorme dificuldade quando o assunto é cuidar de mim.
Mas talvez seja por isso que dá certo. Porque meus "insights" não são inspirados na minha grande história de sucesso, mas em uma possível auto análise - por vezes cômica, por vezes trágica - na qual eu SEI o que deve ser feito para ser feliz. Mas não faço.

E aí? Vai um conselho hipócrita hoje? ;)